terça-feira, 21 de junho de 2011

Indicações e Prognósticos - Arquitetura e Limites III

No início do século XX, a Arquitetura entrou num período de sua abrangente história conhecido pelo confronto e pela ousadia dos arquitetos no que diz respeito à função e a forma das edificações projetadas. Esse período foi conhecido como o Modernismo.
Pensando desta maneira, Arquitetos da época iniciaram um processo de séria consideração do uso e da construção como disciplinas separadas no ato de projetar, e assim enfatizando a pura manipulação da forma, a noção de programa arquitetônico continuou por muito tempo a ser um aspecto de enorme importância no processo de criação do objeto arquitetônico.
A grande preocupação dos críticos da época não se resumia no conceito do programa arquitetônico pensado, mas sim em como esse programa iria refletir na sociedade da época que vivia momento de perda de identidade e já não demonstrava mais tanta fidelidade ás suas maiores exigências de um período de transição como o daquele tempo. Se mostrando na grande maioria complexos e egoístas, os programas arquitetônicos não resultavam de imediato em formas definidas do objeto, sendo necessário apelar para fatores como métodos construtivos inovadores que trariam um leque de opções de criação de um mesmo projeto, arriscando assim um possível conflito entre a forma e o conteúdo da obra arquitetônica.
Por um lado, as novas tecnologias e geometrias puras anunciavam um novo conceito de base funcionalista, que acentuava em primeira instância a solução dos problemas peculiares ao edifício, ao local que em que o mesmo está inserido e ao cliente que ali irá usufruir.  Já na outra extremidade desse conflito, novos programas eram pensados e criados visando a modelagem da sociedade do amanhã.
A arquitetura, então, encontrou novas bases nas teorias do modernismo. Tudo rondava em torno do princípio da “forma segue a forma”, deixando de lado a função. Assim, críticas instantâneas surgiram pelo lado dos neo-modernistas sobre o funcionalismo esquecido dos novos projetos, e pelo lado dos pós-modernistas sobre o produto estético obtido nesse mix de formas que eram designadas.
Atravessando as críticas com uma postura autoconfiante, os arquitetos da época iniciaram um processo de criação de uma arquitetura baseada na forma pela forma, seguindo o pressuposto de que ela parte da radical separação entre as escalas do homem e do mundo autônomo de formas geométricas, realizando obras de total abstração que tomam como referência pautas da arte conceitual, onde o processo do projeto é mais interessante que a obra ou produto final.

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