terça-feira, 21 de junho de 2011

Apresentação Geral e Inicial das Principais Correspondências

No volume construído, a forma é responsável pela clara distinção de funções. A área sacra, voltada para o sul, caracteriza-se pelas curvas e abriga nave principal, capela, confessionários e altares, entre outros. Ao norte, a porção profana - que se destina ao centro comunitário e à residência do pároco - revela o predomínio das linhas retas




As curvas do espaço sacro são formadas por círculos deslocados que se materializam em conchas de concreto protendido moldadas in loco, revestidas com mármore travertino. São três curvas, que, segundo o arquiteto, fazem discreta alusão à Santíssima Trindade.



"...aspecto específico do modernismo: a primazia da manipulação formal em detrimento de considerações sociais ou utilitárias..."





Os intervalos entre as conchas são vedados por caixilhos e vidros que permitem a entrada de luz natural no templo. Dessa forma, de acordo com a estação do ano, o tempo, a hora e a intensidade de luz, modifica-se a percepção do espaço.



"Ao contrário, nexos bastante estreitos entre novos conteúdos sociais, tecnologias e geometrias puras anunciavam uma nova ética funcionalista, que acentuava, num primeiro nível, a solução de problemas em vez da sua formulação; isto é, que a boa arquitetura deveria originar-se do problema objetivamente peculiar do edifício, do local e do cliente, de um modo orgânico ou mecânico."



"A forma ainda segue a forma, apenas o significado e o quadro de referencias são diferentes. A não ser pelos meios estéticos diversos, ambas concebem a arquitetura como um objeto de contemplação, facilmente acessível à percepção crítica, ao contrário da interação do espaço com os eventos, que normalmente não é objeto de comentários."


A ala profana é formada por sucessivas sobreposições de quadrados e retângulos, características da obra de Meier. O principal acesso a esse setor, que possui quatro pisos, se dá através do átrio leste-oeste que divide os dois volumes. No subsolo, duas grandes salas de reuniões e um auditório abrem-se para um pátio.






No térreo - o mesmo nível da nave principal - ficam as áreas de trabalho dos padres e salas de catequese, que ocupam ainda o primeiro piso. No segundo andar, está a residência do pároco, com sala, cozinha e quatro quartos.
O acesso ao centro comunitário também ocorre através do pátio, que pode acomodar encontros formais ou informais da comunidade.

 Suas linhas ousadas, e o material luminoso empregado, estimulam todas as experiências místicas do fiel e o convidam a se abrir espontaneamente para o céu. Sob o ponto de vista técnico, sua construção foi tão audaciosa que exigiu a pesquisa e a descoberta de materiais mais leves, resistentes e antiacústicos.



 Foram utilizadas novas tecnologias para se obter, a partir do material inerte, o conceito dinâmico de velas infladas pelo sopro do vento, e de conchas. As velas simbolizam a travessia da humanidade em caminho para Deus e as conchas remetem o fiel ao início da sua vida espiritual, expressando purificação pela água do batismo. Tudo emerge de uma luminosidade clara, difusa, que provém do alto.



"Mais recentemente, desvios do discurso formalista e a renovação do interesse por eventos arquitetônicos têm tomado uma forma pragmática imaginária. Por outro lado, os estudos tipológicos começaram a discutir o “efeito crítico” dos tipos construtivos ideais nascidos historicamente da função e posteriormente transformados em novos programas estranhos à finalidade original."


O arquiteto Richard Meier explica que o projeto foi inspirado em uma cúpula seccionada verticalmente para a obtenção de enormes conchas, expressando a idéia de uma igreja que se abre para o céu. Arquitetonicamente, as cúpulas das igrejas tradicionais representam “o Céu”; no projeto de Meier, é a igreja toda que se abre para o infinito. Ela não tem cobertura aparente, permitindo que intensa luz invada diretamente do alto, iluminando tudo.


 



 

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