As curvas do espaço sacro são formadas por círculos deslocados que se materializam em conchas de concreto protendido moldadas in loco, revestidas com mármore travertino. São três curvas, que, segundo o arquiteto, fazem discreta alusão à Santíssima Trindade.
"...aspecto específico do modernismo: a primazia da manipulação formal em detrimento de considerações sociais ou utilitárias..."
Os intervalos entre as conchas são vedados por caixilhos e vidros que permitem a entrada de luz natural no templo. Dessa forma, de acordo com a estação do ano, o tempo, a hora e a intensidade de luz, modifica-se a percepção do espaço.
"Ao contrário, nexos bastante estreitos entre novos conteúdos sociais, tecnologias e geometrias puras anunciavam uma nova ética funcionalista, que acentuava, num primeiro nível, a solução de problemas em vez da sua formulação; isto é, que a boa arquitetura deveria originar-se do problema objetivamente peculiar do edifício, do local e do cliente, de um modo orgânico ou mecânico."
"A forma ainda segue a forma, apenas o significado e o quadro de referencias são diferentes. A não ser pelos meios estéticos diversos, ambas concebem a arquitetura como um objeto de contemplação, facilmente acessível à percepção crítica, ao contrário da interação do espaço com os eventos, que normalmente não é objeto de comentários."
A ala profana é formada por sucessivas sobreposições de quadrados e retângulos, características da obra de Meier. O principal acesso a esse setor, que possui quatro pisos, se dá através do átrio leste-oeste que divide os dois volumes. No subsolo, duas grandes salas de reuniões e um auditório abrem-se para um pátio.
No térreo - o mesmo nível da nave principal - ficam as áreas de trabalho dos padres e salas de catequese, que ocupam ainda o primeiro piso. No segundo andar, está a residência do pároco, com sala, cozinha e quatro quartos.
O acesso ao centro comunitário também ocorre através do pátio, que pode acomodar encontros formais ou informais da comunidade.
O acesso ao centro comunitário também ocorre através do pátio, que pode acomodar encontros formais ou informais da comunidade.
Suas linhas ousadas, e o material luminoso empregado, estimulam todas as experiências místicas do fiel e o convidam a se abrir espontaneamente para o céu. Sob o ponto de vista técnico, sua construção foi tão audaciosa que exigiu a pesquisa e a descoberta de materiais mais leves, resistentes e antiacústicos.
Foram utilizadas novas tecnologias para se obter, a partir do material inerte, o conceito dinâmico de velas infladas pelo sopro do vento, e de conchas. As velas simbolizam a travessia da humanidade em caminho para Deus e as conchas remetem o fiel ao início da sua vida espiritual, expressando purificação pela água do batismo. Tudo emerge de uma luminosidade clara, difusa, que provém do alto.
"Mais recentemente, desvios do discurso formalista e a renovação do interesse por eventos arquitetônicos têm tomado uma forma pragmática imaginária. Por outro lado, os estudos tipológicos começaram a discutir o “efeito crítico” dos tipos construtivos ideais nascidos historicamente da função e posteriormente transformados em novos programas estranhos à finalidade original."
O arquiteto Richard Meier explica que o projeto foi inspirado em uma cúpula seccionada verticalmente para a obtenção de enormes conchas, expressando a idéia de uma igreja que se abre para o céu. Arquitetonicamente, as cúpulas das igrejas tradicionais representam “o Céu”; no projeto de Meier, é a igreja toda que se abre para o infinito. Ela não tem cobertura aparente, permitindo que intensa luz invada diretamente do alto, iluminando tudo.